Tenho pensado sobre o Coronavírus. E minha forma de enxergá-lo mostra, ao menos a mim, coerência com os nossos dias. O que parece “fora da ordem” pode ser uma oportunidade de reflexão, um espelho de nós.

Vamos pensar?

Um vírus que nos recolhe, nos aquieta.
Por que estamos sempre correndo? Indo de um lugar para o outro até esquecermos a necessidade da pausa, do tempo que alimenta a alma, a reflexão que dá sentido ao que somos e fazemos? Um vírus que pede para evitarmos aglomerações… traz a oportunidade do silêncio?

Um vírus que nos distancia.
A orientação é não abraçar, evitar os habituais beijinhos… Mas como estamos nos relacionando? Mais ligados pela tecnologia e tão pouco pelo humano mais refinado em nós? Nossos beijos são gestos de afeto ou são mecânicos? Nossos abraços são de verdade?

Um vírus que nos pede para lavar as mãos.
Isso me faz pensar no quanto vamos passando de um lugar para o outro sem consciência. Entramos em conflito no trabalho, por exemplo, e passamos a bronca para o primeiro que aparecer. Não importa, chegou, levou! Vamos transmitindo e espalhando tudo. Nossas dores, mágoas, frustrações, reclamações, ansiedades… muitas vezes criando uma confusão de emoções tóxicas, sem as águas do autoconhecimento, do bom senso.

Um vírus que nos pede para cuidar dos idosos.  Precisa comentar? Como a nossa sociedade os trata? Há atenção, respeito, afeto?

Um vírus que afeta tão fortemente o sistema econômico. Quem se atreve a sonhar a grande mudança? A quebrar as estruturas do ego, poder e competição que, essas sim, há tempos colocam a vida em risco, criam enorme desigualdade e injustiça, destroem os recursos naturais do nosso planeta?

Como disse, estou apenas pensando. Se bem que é melhor não pensar. Afinal, o papel higiênico vai acabar e… você sabe… não há papel ou álcool gel capaz de dar conta do que precisamos cuidar.

Mas, se esse tempo de mudança nos acordar, veja: dentro de cada corona há um o on… escondido.

Sabe aquele som que nos ajuda a meditar? O on….

Para que saibamos despertar o melhor em nós.

Silvia Camossa